quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Dia 13 (16/12/2006) -- Dart off-site

Acordamos bem cedo para nos dirigir à festa de confraternização de final de ano, tínhamos que pegar o ônibus às 7:15 da manhã, em frente do escritório. Fomos caminhando até lá, e parece que o inverno aqui na Índia está realmente chegando, fazia um frio considerável naquela manhã, que era agravado pelo fato de estarmos de bermuda e camiseta de manga curta! Explico, ao longo do dia a temperatura ainda sobe bastante, atingindo uns 30 graus.

Chegamos na frente do escritório e ficamos esperando o resto do pessoal do Brasil, os que conseguiram chegar a tempo, antes do sábado. Alguns minutos e estávamos todos reunidos, nos dirigindo ao ônibus que nos levaria ao resort onde seria a festa de confraternização. O ônibus era bem simples, e pertencia aos ex-oficiais do exército indiano. Seguimos para a região rural de Pune, que diga-se de passagem se parece com regiões semelhantes no Brasil, de fato, é uma região muito mais agradável do que a paisagem urbana caótica que vivenciamos no dia-a-dia em Pune.

Foram aproximadamente 2,5 horas no trajeto do escritório até o resort, no meio do caminho fizemos amizade com o pessoal que estava no ônibus junto com a gente, e os quais até então não conhecíamos. Para passar o tempo os indianos organizaram uma brincadeira, na qual devíamos advinhar o nome de um filme através de mímicas. Foi nesse momento que notei uma certa diferença cultural. Enquanto somos ávidos consumidores do cinema norte-americano, e temos de lidar com as incríveis "traduções" de títulos de filmes -- o que nos atrapalhou bastante na brincadeira -- os indianos ao contrário dão preferência à produção cinematográfica local, indiana. O que a julgar pelos trailers que vimos nas televisões não tem nada a perder com aquilo que estamos acostumados a ver nas telonas do Brasil! Infelizmente ainda não tivemos tempo para assistir a um filme aqui, principalmente ao fato de trabalharmos no período tarde/noite.

Finalmente chegamos ao resort, que para o que esperávamos estava mais para um sítio incrementado com tendas e barracas de comida. Logo que descemos do ônibus, lá por umas dez da manhã, fomos todos correndo para a primeira refeição do dia, tipicamente indiana, apimentada. Mas estava tudo muito gostoso e prontamente saciamos nossa fome. O café da manhã tomou uns 10 minutos e logo o animador da festa (sim, tinha um animador!) começou a organizar as brincadeiras. A começar o pessoal foi dividido em duas grandes equipes, lideradas pelos "managers". Depois da divisão começou a primeira brincadeira, que consistia em acertar perguntas sobre características pessoais de cada "manager". O perdedor, isto é, aquele que dava a resposta errada, era "humilhado" com todo o time opositor dançando em sua frente. A esta brincadeira segui-se a tradicional brincadeira do cado de guerra, que foi habilmente defendida e vencida pelos representandes brasileiros. A esta segui-se a brincadeira de qual homem, com roupas femininas tradicionais indianas, desfilava do "jeito mais sexy". Tivemos um representante brasileiro (não, não é este quem vos escreve) que foi o vencedor do "desfile". Outras brincadeiras seguiam em paralelo com jogos de futebol e de cricket, este último o qual participei.


Brincadeiras pela manhã.

Logo após as brincadeiras matinais, seguiu-se o almoço, também tipicamente indiano. Os brasileiros recém chegados tiveram mais uma prova de fogo, literalmente, com o tempero local. Mas sairam-se todos bem, na medida do possível. A cerveja ajudou a acalmar a pimenta.

Almoço.

A parte da tarde foi reservada para um bingo e outras brincadeiras. À tarde também foi feito o "jogo oficial" de cricket! Onde dois times mistos de brasileiros e indianos se enfrentaram. Depois de pegar o jeito pela manhã, e pelo que pude entender da narração do jogo, vencemos a partida. Cricket é um jogo que lembra muito o 'bets' do Brasil, mas com algumas regras a mais e mais gente jogando, mas a essência é a mesma.


Matando as saudades do bets, com o Cricket.

Ao final do jogo seguiu-se a foto oficial do evento, o DART off-site (DART é o nome do andar onde trabalhamos, e tem um significado que não me lembro).

E por último, isso já lá pelas 19 horas, quando anoitecia, foi montada uma "pista de dança" improvisada no meio do gramado, com caixas de som, luzes e muita música indiana, até mesmo música eletrônica. Daí todo mundo se juntou para dançar.

A noite ia chegando...

Era hora da festa.

Mas antes preciso dizer que os indianos dançam de um jeito no mínimo diferente, por questões culturais, acredito eu. Premeiramente se formou uma grande aglomeração de homens dançando alegremente, uns 100. E uma pequena roda de mulheres, afastada, dançando também, com uma mistura de coreografia ocidental e tradicional indiana. Nem preciso dizer que achamos isso um tanto diferente, mas tudo bem. Homens e mulheres separados.

Brasileiros como somos, começamos a dançar também, e fomos nos aproximando das mulheres, com nenhuma segunda intenção, diga-se de passagem, apenas para nos enturmarmos. Nos pareceu natural, como se faz aqui no Brasil, por exemplo. Não deu nem cinco minutos, e o bolo de indianos, que nesta altura estavam completamente alucinados com a música e dança rompe nossa "rodinha" de brasileiros e indianas, e talvez movidos por ciúmes e proteção, separam as mulheres dos brasileiros intrometidos, alguns com certa veemência, digamos. Mas ao invés de dançar com as mulheres, os indianos queriam dançar conosco! Nem preciso dizer que isso nos pareceu estranho. Mesmo com a dificuldade e as divergências nos enturmamos também com os indianos. Outro fator estranho era que os indianos ficavam tentando pegar nossas mãos para dançar, sem nenhuma maldade, de mão dadas. Vai entender, é uma cultura diferente. É estranho, mas é comum ver homens amigos andando nas ruas de mão dadas e abraçados. Com todo esse conflito cultural resolvemos formar nosso próprio grupo e passar o resto da noite, esperando o ônibus que nos deixaria em casa, afinal de contas, foi um dia inteiro de atividades, estávamos exaustos, uns mais do que os outros, pois acabaram de chegar na Índia!

Pegamos o ônibus de volta, lá pelas 21 horas da noite, e chegamos em casa por volta das 23 horas. Direto para a cama dormir.

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