quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Dia 01 -- Primeira Segunda-feira, nosso primeiro dia de trabalho

Despertador tocando, um banho quente, roupas novas, um típico café da manhã indiano e estávamos prontos para nosso primeiro dia de trabalho na Índia. Esperamos algum tempo pelo táxi, mas com receio de chegarmos muito atrasados, decidimos ir a pé mesmo (a empresa fica a uns 15 minutos de caminhada). Dribles no trânsito, muitas fotos pelo caminho e finalmente chegamos no prédio da empresa, nos apresentamos na portaria por volta das nove da manhã e ficamos esperando por nosso responsável lá dentro. Na sala de espera acabamos encontrando nosso chefe que também veio do Brasil, o que tornou mais fácil nossa movimentação por lá.

Dia começando na Índia.

Todos tomando seu caminho para o trabalho.

Quem não teve tempo para o café da manhã pode se alimentar com um fast-food chinês.

Hora de ir para a escola.

Encontramos nossos managers aqui na Índia, fomos apresentados a cada um deles, nos apresentaram os principais dependências do prédio, e logo em seguida nos dirigimos a uma sala de reuniões para uma apresentação sobre nosso projeto, como ele é organizado, suas principais tarefas e nossas responsabilidades. Aproximadamente 1 hora de conversa a estávamos liberados para configurar nossas estações de trabalho. Senhas, cliente de e-mail, acesso à internet, mais umas duas horas e já tínhamos praticamente as mesmas funcionalidades que encontrávamos no Brasil. Ficamos na espera agora de uma segunda reunião, que daria início ao nosso treinamento propriamente dito.

Boas vindas. Alguma dificuladade com nossos nomes. Mas tudo bem, sentimos o mesmo com os nomes deles.

Infelizmente, devido a uma emergência de conteúdo desconhecido para nós até o momento, o início do treinamento teve de ser atrasado para o dia seguinte, a terça-feira. Com isso, tivemos tempo de conhecer melhor o prédio e aproveitar para um típico almoço indiano, aqui no refeitório da empresa.

Se a pizza do dia anterior já foi apimentada, o almoço de hoje foi realmente quente. Arroz, batata cozida, lentilha e um pão que lembra o pão árabe fizeram parte de nosso cardápio, tudo disponível, entre outras coisas, em um buffet. Vinte rúpias por uma refição vegetariana, a nossa escolha, e se não me engano 40 rúpias pela não-vegetariana, aproximadamente R$ 1,00 e R$ 2,00, respectivamente. Aqui vale um adendo. Como um grande precentual da população é vegetariano, e o outro não, optou-se por convenciar símbolos no cardápio, que indicam se o prato ou a seleção é vegetariana ou não. É usado um quadradinho verde com um ponto no centro, ou um desenho vermelho, respectivamente, para a refeição "vegg" ou "non-vegg". Para os turistas, o desenho de uma pimenta vermelha ao lado do nome do prato ajuda a identificar aqueles pratos que podem ser potencialmente desafiantes. Porém, mesmo os pratos sem a indicação de "quentes", podem trazer o sabor ardente da comida indiana. A pimenta é usada aqui da mesma forma que o sal no ocidente, creio eu. O mais difícil no almoço, foi o fato que, ao que parece, a refeição dos indianos não é feita junto com bebida, pelo menos no refeitório na empresa. Por isso, realmente tive que literalmente suar para comer todo o prato!

Uma tarde bastante calma, porém, aproveitamos para fazer amizade com o pessoal mais próximo de nossas estações de trabalho. Adicionei cada um deles no nosso sistema de mensagens instantâneas para facilitar a memorização dos nomes. Os nomes são realmente difícieis de memorizar aqui, por isso, em algumas situações nossos próprios colegas sugeriram contrações de seus nomes para facilitar a memorização dos mesmos. O que de fato ajuda a minimizar minha difculdade de associar nomes às pessoas! Bem, pensei, ainda teremos mais 3 semanas pela frente para associar corretamente o nome a cada um deles.

Como eu disse anteriormente, os indianos são incrivelmente atenciosos, simpáticos e prestativos, se preocupam muito que cada uma das pessoas que esteja a seu redor esteja pelo menos se sentindo bem. Não sei se essa é uma típica impressão ou efeito "turista", mas me senti rapidamente à vontade no meu novo e temporário local de trabalho. Uma observação mais atenta e longa me fez ter certeza de que essa preocupação é verdadeira e se estende aos demais colegas também, o que me deixou muito feliz. Bem, nisso a tarde já ia terminando, 19 horas, chegava ao fim nosso primeiro dia de trabalho.

Eu estive aqui.

Descemos o elevador, saímos do prédio, máquina fotográfica em mãos, mais uma dezena de fotos, até que do outro lado da rua por onde voltávamos para o apartamento escuto um cântigo que aumentava de volume, seguido de palmas. Olho para o lado e fico um pouco confuso com a cena, mas logo percebo que estou presenciando um ritual hindu! Uma espécie de adoração ou oferendas a um ornamento coberto de flores.

Tendo tirar uma foto do outro lado da rua, mas a distância e o início da noite dificultam a tarefa. Me aproximo mais, agora estou sobre o cantiero que divide as duas mãos da rua (em algumas ruas isso existe), mesmo assim não me dou por satisfeito, as fotos ainda não estão boas, muito longe. Atravesso a outra faixa, e o mais discretamente possível começo a tirar fotos. Era óbvio que o flash iria me denunciar. Depois da segunda foto percebo um indiano gritanto e gesticulando em minha direção. Pronto! Eu pensei, estou interrompendo o ritual e estou levando mais uma bronca à la turista inconveniente. Mas nada disso! Logo percebo que o indiano me convida para ainda mais perto! Não sabia o que fazer na hora, e vendo minha indecisão ele se aproxima de mim e me puxa para perto do grupo, me levando literalmente para seu centro. Lá ele grita efusivamente "take off your shoes! take off your shoes!!". Não pensei duas vezes, largei meus sapatos numa escada e agora fui levado diretamente à frente do ornamento reverenciado. Em frente dele, cada pessoa se revezava com a únca bandeija de cobre, contendo duas velas e um elemento desodorante que era queimando em uma das chamas. Eles ficavam balançando a bandeija em frente do ornamento florido e abanavam a fumaça em sua direção. Logo me ofereçeram a bandeija e tentei repetir o momvimento o mais precisamente como tinha observado. Passei a bandeija para um senhor que estava ao meu lado e me pus a observar a continuação do rital, batendo palmas, quando vejo que o Arlindo é o próximo na fila a revernciar o ornamento! E lá vai ele. Mais alguns minutos de uma bela e hipinotizante canção, acompanhada de palmas rítmicas, e o ritual termina. Após dele, já uma espéice de confraternização onde são oferecidas comidas típicas, deliciosas, salgados, doces, frutas. Comemos de tudo, pois, além de ser uma comida deliciosa, não queríamos fazer desfeita. Muitas fotos, alguns vídeos, e no final agradecemos cada uma das pessoas lá presentes. "thank you! thank you!". Quando íamos seguir caminho em direção ao nosso apartamento, fomos chamados em frente ao ornamento e nos ofereceram dois cocos ornamentados com flores. Nos disseram que deveríamos tomar sua água e comer sua polpa, pelo menos foi isso que entendemos. Também fizeram a tradicional marca entre nossos olhos, na testa, com um pó avermelhado. Todos pareciam muito felizes, um casal que nos acompanhou em parte do caimnho para casa nos oferceu doces, que aceitamos prontamente, novamente deliciosos!




Ritual Hindu. Não há palavras para descrever a experiência. Apenas uma para terminar, Namasté.

Chegamos no apartamento completamente atordoados! Não sabíamos como descrever o que aconteceu. Depois de nos acalmarmos e explicar tudo ao Dave, ele nos explicou que participamos de um ritual hindu de oferenda a um de seus deuses. E que o consumo do alimento, o coco, nos tornaria mais fortes, contra os demõnios que tornam as pessoas ruins, e contra qualquer outra coisa ruim. Essa foi a chave para que nos dirigíssemos à cozinha e degustássemos nossa última lembrança daquele ritual. Pronto, a Índia consegui me conquistar, estava feito.

Arlindo, protegido pelos deuses.

Mais alguns minutos de conversa com o Dave e nosso cozinheiro, que no momento não lembro seu nome, e ficamos sabendo de outro ritual para afastar as coisas ruins, esse muito mais impressionante. Envolve a oferta de um animal, cabra, porco ou boi, e o uso de uma espada em formato de foice, que em um únco golpe deve ser decapitado, em homenagem a um deus. O sangue não pode, sob hipótese alguma, cair no chão, caso contrário, do sangue caído, nascem novos demônios. O sangue é recebido em um recipiente e usado para pintar a testa dos participantes do ritual, eis a proteção e um dos significados para essa pintura, quando feita com sangue. O outro singificado, além de indicar que o indiano homem participou de um ritual e está protegido, é o uso ornamental ou indicativo de matrimônio pelas mulheres. Parece que elas não participam dos rituais de proteção, pelo que entendi.


Dave, à esquerda, e o cozinheiro, Anil .V. Nemene, à direita. Têm cuidado de nós aqui em nossa estadia. Jantar acompanhado de histórias fantásticas.

Embalados por novas experiências e novas histórias, estávamos exaustos. A noite anterior foi de pouco sono. O dia de hoje foi longo e incrível, poderíamos enfim corrigir nossa diferneça de fuso horário e descançar um pouco. Nos recolhemos em nossos quartos, tomamos um banho, e finalmente dormimos. Posso dizer por mim que devo ter tido sonhos fantásticos.

P.S.: ao final do dia já estávamos habilidosos em atravessar ruas!

Um comentário:

Anônimo disse...

Que historia irada.

Da pra escrever um livro.

Juro que me peguei a historia ficou animal...

Abraço e se cuida