quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Dia 18 (21/12) -- Mais despedidas, deixamos a Índia e rumamos de volta para o Brasil, último post na índia

Esse é meu último post aqui na Índia. Confesso que já bate saudades. Estou dividido se quero ficar ou se devo voltar. Mas sei que preciso voltar.

Hoje nos despediremos do pessoal da Índia com um almoço e muitas fotos. Depois, às 19:15hrs deixaremos o escritório de volta para o apartamento. Faremos os últimos ajustes e rumaremos de carro para Bombay a partir das 20:30hrs. Nosso vôo deixa Bumbay às 2:40 da manhã de sexta-feira, 22/12, passa por Paris, segue ao Brasil e pousa em solo brasileiro às 19:20, em São Paulo. Às 22:25 deixo São Paulo e volto para Curitiba, chegando lá por volta das 23:10hrs, também do dia 22/12.

Gostaria de agradecer a todo o pessoal que me ajudou aqui na Índia, ao pessoal de casa e do escritório, e ao pessoal do Brasil que também me ajudou e torceu por mim, de casa e do escritório também.

Está chegando ao final a minha viagem mais fantástica até então. Essa vai ficar na memória, com certeza. Escrevi este blog para me ajudar com isso. E já conto as horas para poder voltar para cá.

Acredito ser tudo. Nos vemos no Brasil, até a volta. Abraços e beijos para todos.

Namasté Índia! Namasté para o povo indiano que cuidou tão bem nós.

Dia 17 (20/12/2006) -- Despedida do pessoal do Brasil

Bem pessoal, caros leitores :) Vai chegando a hora das despedidas. Hoje é nossa última noite em solo indiano. Depois de um dia de trabalho nos reunimos no restaurante The Ships para uma despedida do pessoal do Brasil, e que permanece aqui por mais três semanas. Desejo boa sorte a cada um deles.

Amanhã, vamos almoçar toda a equipe do Brasil e da Índia à qual estou subordinado, vai ser a despedida do pessoal da Índia.

Até mais.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Dia 16 (19/12/2006) -- Descanço de manhã. Muito trabalho depois.

Descanço. Merecido. Arrumei minha mala para ver se cabia tudo lá dentro. Vai dar trabalho fechar a mala na quinta-feira...

Do trabalho, só voltei depoias da meia noite!!

Dia 15 (18/12/2006) -- MG Road, últimos presentes, despedidas

Depois do jantar soberbo, a noite um tanto longa em função de toda aquela comida no estômago, ainda assim tivemos que encontrar disposição para mais uma jornada à MG Road. Hoje compramos os últimos presentes e nos despedimos dos amigos que fizemos lá, os três irmão das lojas de tecidos e roupas. Afinal de contas, estaremos de volta ao Brasil em breve. Foi a partir de hoje que comecei a sentir saudades da Índia.

Dia 14 (17/12/2006) -- The Great Panjab

Pensamos em ir para a MG Road e comprar os últimos presentes para o pessoal do Brasil, logo pela manhã. Mas a caminho de pegar o rickshaw encontramos alguns de nossos colegas do Brasil e nossos planos rapidamente mudaram. Fomos ajudá-los com a bagagem extraviada, a encontrar e usar telefones pela região.

Depois disso, passadas algumas horas de vai e vem, encontramos com o resto do pessoal no restaurante Pizza Corner, foi a primeira vez que toda a equipe se reuniu aqui na Índia, 14 pessoas, se não erro a conta.

Da pizzaria saímos em "romaria" para conhecer o Osho, um centro de meditação, mundialmente conhecido, que tem sede aqui em Pune. A apenas alguns minutos de caminhada da pizzaria. Reza a lenda que nesse centro de meditação prega-se o alcance da iluminação através do extravasamento dos sentidos e prazeres. Para se ter uma idéia, é pedido um exame de HIV para se tornar membro. Claro que tal lenda atiça a curiosidade de qualquer um. E para lá fomos. Só para perceber que ficaríamos restrito a uma pequena área de visitação que pouco indicava o que acontecia lá dentro. Nem fotos é permitido tirar. Ficamos um tanto frustrados, e alguns já faziam planos de conhecer os princípios do centro mais afundo. De lá seguimos diretamente para a MG Road, nosso destino original, e apresentar a famosa rua ao pessoal do Brasil que ainda não a conhecia.

Olha o passo do elefantinho, a caminho do Osho.

Entrada do Osho, antes de sermos abordados pelos seguranças.

Infelizmente, por se tratar do domingo, as lojas da rua estavam praticamente todas fechadas, mas isso não impediu os mais compulsivos de fazer algumas comprinhas. Não totalmente frustrados, e com algumas sacolas de baixo do braço, voltamos para casa. Depois iríamos todos nos encontrar de novo em um restaurante para o jantar.

Seguimos para as redondezas do restaurante, o The Great Punjab, às 20:30hrs, de rickshaw. Lá por perto estão hospedados grande parte do pessoal do Brasil, aqui na Índia. Alguns minutos esperando todo mundo se aprontar e nos dirigimos para o restaurante, que nos foi muito bem recomendado. Posso dizer que comemos como reis. A comida era simplesmente deliciosa, já que haviam pratos sem pimenta, e assim nos sentimos em casa por algumas horas. Soma-se a isso muita cerveja, e muitos amigos, e passamos momentos realmente agradáveis lá. Recomendo pessoalmente este restaurante, que tem um ambiente internacional de acomodações e atendimento.


The Great Punjab. Foi um grande banquete, isso sim.

Devo dizer que a noite que se seguiu foi um tanto longa, à espera de digerir toda aquela comida. Foi realmente um banquete. Além de muita diversão.

Dia 13 (16/12/2006) -- Dart off-site

Acordamos bem cedo para nos dirigir à festa de confraternização de final de ano, tínhamos que pegar o ônibus às 7:15 da manhã, em frente do escritório. Fomos caminhando até lá, e parece que o inverno aqui na Índia está realmente chegando, fazia um frio considerável naquela manhã, que era agravado pelo fato de estarmos de bermuda e camiseta de manga curta! Explico, ao longo do dia a temperatura ainda sobe bastante, atingindo uns 30 graus.

Chegamos na frente do escritório e ficamos esperando o resto do pessoal do Brasil, os que conseguiram chegar a tempo, antes do sábado. Alguns minutos e estávamos todos reunidos, nos dirigindo ao ônibus que nos levaria ao resort onde seria a festa de confraternização. O ônibus era bem simples, e pertencia aos ex-oficiais do exército indiano. Seguimos para a região rural de Pune, que diga-se de passagem se parece com regiões semelhantes no Brasil, de fato, é uma região muito mais agradável do que a paisagem urbana caótica que vivenciamos no dia-a-dia em Pune.

Foram aproximadamente 2,5 horas no trajeto do escritório até o resort, no meio do caminho fizemos amizade com o pessoal que estava no ônibus junto com a gente, e os quais até então não conhecíamos. Para passar o tempo os indianos organizaram uma brincadeira, na qual devíamos advinhar o nome de um filme através de mímicas. Foi nesse momento que notei uma certa diferença cultural. Enquanto somos ávidos consumidores do cinema norte-americano, e temos de lidar com as incríveis "traduções" de títulos de filmes -- o que nos atrapalhou bastante na brincadeira -- os indianos ao contrário dão preferência à produção cinematográfica local, indiana. O que a julgar pelos trailers que vimos nas televisões não tem nada a perder com aquilo que estamos acostumados a ver nas telonas do Brasil! Infelizmente ainda não tivemos tempo para assistir a um filme aqui, principalmente ao fato de trabalharmos no período tarde/noite.

Finalmente chegamos ao resort, que para o que esperávamos estava mais para um sítio incrementado com tendas e barracas de comida. Logo que descemos do ônibus, lá por umas dez da manhã, fomos todos correndo para a primeira refeição do dia, tipicamente indiana, apimentada. Mas estava tudo muito gostoso e prontamente saciamos nossa fome. O café da manhã tomou uns 10 minutos e logo o animador da festa (sim, tinha um animador!) começou a organizar as brincadeiras. A começar o pessoal foi dividido em duas grandes equipes, lideradas pelos "managers". Depois da divisão começou a primeira brincadeira, que consistia em acertar perguntas sobre características pessoais de cada "manager". O perdedor, isto é, aquele que dava a resposta errada, era "humilhado" com todo o time opositor dançando em sua frente. A esta brincadeira segui-se a tradicional brincadeira do cado de guerra, que foi habilmente defendida e vencida pelos representandes brasileiros. A esta segui-se a brincadeira de qual homem, com roupas femininas tradicionais indianas, desfilava do "jeito mais sexy". Tivemos um representante brasileiro (não, não é este quem vos escreve) que foi o vencedor do "desfile". Outras brincadeiras seguiam em paralelo com jogos de futebol e de cricket, este último o qual participei.


Brincadeiras pela manhã.

Logo após as brincadeiras matinais, seguiu-se o almoço, também tipicamente indiano. Os brasileiros recém chegados tiveram mais uma prova de fogo, literalmente, com o tempero local. Mas sairam-se todos bem, na medida do possível. A cerveja ajudou a acalmar a pimenta.

Almoço.

A parte da tarde foi reservada para um bingo e outras brincadeiras. À tarde também foi feito o "jogo oficial" de cricket! Onde dois times mistos de brasileiros e indianos se enfrentaram. Depois de pegar o jeito pela manhã, e pelo que pude entender da narração do jogo, vencemos a partida. Cricket é um jogo que lembra muito o 'bets' do Brasil, mas com algumas regras a mais e mais gente jogando, mas a essência é a mesma.


Matando as saudades do bets, com o Cricket.

Ao final do jogo seguiu-se a foto oficial do evento, o DART off-site (DART é o nome do andar onde trabalhamos, e tem um significado que não me lembro).

E por último, isso já lá pelas 19 horas, quando anoitecia, foi montada uma "pista de dança" improvisada no meio do gramado, com caixas de som, luzes e muita música indiana, até mesmo música eletrônica. Daí todo mundo se juntou para dançar.

A noite ia chegando...

Era hora da festa.

Mas antes preciso dizer que os indianos dançam de um jeito no mínimo diferente, por questões culturais, acredito eu. Premeiramente se formou uma grande aglomeração de homens dançando alegremente, uns 100. E uma pequena roda de mulheres, afastada, dançando também, com uma mistura de coreografia ocidental e tradicional indiana. Nem preciso dizer que achamos isso um tanto diferente, mas tudo bem. Homens e mulheres separados.

Brasileiros como somos, começamos a dançar também, e fomos nos aproximando das mulheres, com nenhuma segunda intenção, diga-se de passagem, apenas para nos enturmarmos. Nos pareceu natural, como se faz aqui no Brasil, por exemplo. Não deu nem cinco minutos, e o bolo de indianos, que nesta altura estavam completamente alucinados com a música e dança rompe nossa "rodinha" de brasileiros e indianas, e talvez movidos por ciúmes e proteção, separam as mulheres dos brasileiros intrometidos, alguns com certa veemência, digamos. Mas ao invés de dançar com as mulheres, os indianos queriam dançar conosco! Nem preciso dizer que isso nos pareceu estranho. Mesmo com a dificuldade e as divergências nos enturmamos também com os indianos. Outro fator estranho era que os indianos ficavam tentando pegar nossas mãos para dançar, sem nenhuma maldade, de mão dadas. Vai entender, é uma cultura diferente. É estranho, mas é comum ver homens amigos andando nas ruas de mão dadas e abraçados. Com todo esse conflito cultural resolvemos formar nosso próprio grupo e passar o resto da noite, esperando o ônibus que nos deixaria em casa, afinal de contas, foi um dia inteiro de atividades, estávamos exaustos, uns mais do que os outros, pois acabaram de chegar na Índia!

Pegamos o ônibus de volta, lá pelas 21 horas da noite, e chegamos em casa por volta das 23 horas. Direto para a cama dormir.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Dia 12 (15/12) -- Dia calmo e tranquilo

Hoje descansamos bem. Pudemos ficar sem fazer nada de manhã. Conhecemos dois japoneses que dividiram o apartamento durante essa noite, mas já partiram para Nova Delhi a trabalho. Amanhã vamos participar da festa de confrternização de final de ano! A DART!

Dia 11 (14/12) -- Filmagens para comercial de TV

Parecia que o dia de hoje seria um dia normal, calmo, mas fomos acordados pelo Dave nos avisando que algo diferente acontecia em frente ao nosso prédio, na rua. Fomos para a sacada do apartamento e vimos que uma filmagem estava sendo feita. Voltei para o quarto, tomei um banho ultra rápido, troquei de roupa, máquina fotográfica em mãos e desci para tirar algumas fotos. Foi a primeira vez que acompanhei este tipo de trabalho tão de perto. Foi legal de ver. Tirei algumas fotos, e fiz algumas filmagens durante o trabalho deles. Descobri que se tratava de uma filmagem para o comercial de TV de um novo carro em lançamento. Fui até convidado para aparecer como figurante durante uma das cenas, fazendo pose de turista branquelo. Mas tive que recusar, afinal de contas tinha que trabalhar à tarde, quando seriam filmadas as cenas. Foi apenas hoje que vi as primeiras indianas bonitas, como elas aparecem na TV!



Produção do comercial.

Dia 10 (13/12) -- Massagem Ayurveda

Acordamos cedo e nos dirigimos para o centro de massagem Ayurveda de Pune. Confesso que estava um pouco temerário com a massagem, afinal de contas nunca tinha ouvido falar nela. Chegamos no centro e fomos direto para uma sala de consulta médica, onde uma mulher perguntou algumas coisas para nós e nos perparou a receita da masagem. Seriam usados óleos medicinais aquecidos, mas não os mais fortes.

Da sala de consultas cada um de nós seguiu para salas individuais, onde havia uma grande mesa de uma madeira escura no seu centro, rodeada por diversos acessórios "ayurvédicos". Não sei descrever o que eram. Fui requisitado a tirar a roupa, toda. E me foi dada uma tanga para vestir, de uma espécie de papel grosso(não, não haverão fotos dessa vez), me senti embaraçado, mas estou na Índia afinal de contas. Deitei na mesa de madeira e o massagista fez um sinal que não entendi, despejou um pouco de óleo bem em cima do meio peito, na altura do coração, fez outro gesto, e começou a massagem, que foi muito relaxante. Logo depois da massagem, que durou em torno de 1 hora, fui para uma outra sala, onde tinha uma espécie de barraca de acampar, mas mais baixa, com uma cadeira dentro, me sentei na cadeira e o massagista fechou a barraca, só aí que eu entendi que aquilo era uma pequena sauna, onde vapor medicinal era injetado. Fiquei apenas com minha cabeça do lado de fora. Fiquei lá por uns 30 minutos. De lá sai para um banho quente, com uma pasta, sabonete e shampoo medicinais. Fiquei por lá durante umas duas horas. Saí de lá me sentindo fora do meu corpo. É uma sensação realmente estranha ficar sem nossos "nós". Chegamos no apartamento e eu tentei cochilar por alguns minutos, antes de ter que sair para o trabalho, mas estava tão relaxado que não conseguia dormir. Me arrumei e saímos para almoçar, depois seguimos para o escritório.

Hoje encontramos a primeira leva do pessoal que chegou de Curitiba aqui na Índia.

Dia 09 (12/12) -- Nada de diferente

Depois de Delhi, Agra, Taj Mahal, confraternizações, o dia de hoje foi para o descanço. O único destaque foi para problemas com acesso à internet, a partir do apartamento. Parece que depois de uma queda de luz (acontecem de 2 a 3 quedas de luzes aqui em Pune) o modem que marotamente estávamos usando travou ou bloqueou nosso acesso. Estamos procurando por alternativas. Amanhã o dia promete, de manhã vamos fazer uma sessão de massagem ayurveda, para relaxar e recarregar as baterias.

No final do dia precisamos dar uma ajuda em arranjar acomodações pro pessoal que chegou de Curitiba.

Dia 08 (11/12) -- Confraternização

Descanço, é só disso que precisamos. Mas aproveitei a manhã livre para ir a uma loja de CDs, na MG Road, e comprar alguns discos de música indiana tradicional. Fui de moto, de carona na moto do Dave. O trânsito aqui toma uma outra proporção nessas condições. É muito mais assutador do que qualquer outra forma. Aproveitei também para experimentar alguns doces tradicionais daqui, na própria MG Road, tinha um, uma bola branca, que gostei. Bem doce, açucarado.

Depois do expediente de trabalho, lá pelas 20 horas, fomos em um restaurante, o Flag`s se não me engano, comemorar o trabalho realizado pela equipe aqui da Índia na última semana, que envolveu muitas etapas importantes. Muita comida, bebida, piadas e risadas, no fim da noite já estava até entendendo um pouco do hindi! Tudo pago! Foi muito bom para ver como é o pessoal fora do ambiente do trabalho! E eles são realmente legais, não é protocolo de trabalho não!

Todo o pessoal reunido.

Hoje também é o aniversário do meu pai! Não consigo completar ligações aí para o Brasil, então os parabéns vão ser por aqui mesmo! Parabéns e muitas felicidades pai!

Dia 07 (10/12) -- Red Fort, Akbar`s Thumb, Delhi/Pune

Acordamos cedo, 8 horas da manhã, depois de uma noite interrompida por algumas buzinadas, já que nosso quarto dava de frente para a rua, isto é, para todo aquele caos que não cedia nem mesmo de madrugada. Arrumamos tudo de volta nas mochilas e descemos para um rápido café da manhã. Torradas, um suco e isso é tudo. Fizemos o checkout do hotel e pegamos novamente nosso taxista-guia, agora iríamos visitar o Red Fort, em Agra, e o mausoléu de Akbar, em Sikandra, respectivamente.

O Red Fort não parece grande coisa do lado de fora. Bem verdade que não é possível ver seus limites de fora, ele é imenso, mas acho que esse é o objetivo original da construção. Os muros, as paredes toda a construção, seus blocos, são formados a partir de uma areia vermelha, daí sua cor característica, e daí seu nome. O Red Fort é simplesmente imenso, parece uma pequena cidade cercada por um forte muro, e este rodeado por um lago de pequenas proporções, exatamente como vemos em desenhos animados e em histórias medievais. Dentro do forte, encontram-se templos, imensos jardins, todos primorosamente cuidados, passagens secretas e uma cidade subterranea, que é inacessível aos visitantes turistas. Até hoje o forte é usado pelo exército indiano.

Jardim na entrada do red Fort.

Estrutura do forte.




Red Fort.

Saindo do forte, seguimos para Sikandra, onde fica o mausoléo de Akbar, Akbar`s Thumb, que pertence ao avô do homem que construiu o Taj Mahal. O mausoléo segue o mesmo padrão dos demais, incluindo o Taj Mahal, um grande muro cerca o mausoléu, e este muro contém quatro grandes portões de entrada, um em cada lado, muito grandes, e ricamente ornamentados. Mas o grande diferencial deste monumento está na forma como ele foi construído. Seguindo regras precisas da matemática, física, arquitetura e engenharia, o prédio possui uma acústica úncia. No prédio central, cercado pelos grandes muros, existe ao seu redor uma espécie de varanda, formada for 40 camaras, 10 de cada lado. Estas varandas foram construídas de tal forma que o som se propaga parfeitamente em uma direção específica dado o ponto onde você está. Por exemplo, vamos restringir tudo a apenas uma camara. Se uma pessoa se posiciona de frente a uma coluna, e outra faz o mesmo, mas em uma coluna diametralmente oposta, elas podem conversar perfeitamente como se esitvessem uma do lado da outra! O som se propaga perfeitamente coluna acima, percorre o teto, e desce pela coluna de destino sem quase nenhuma atenuação. Partindo do mesmo princípio, e dependendo da posição, pode-se comunicar com outras camaras sem se precisar gritar ou fazer uso de qualquer sistema complexo de comunicação. Estas camaras externas eram reservadas aos guardas do mausoléu na antiguidade, assim eles podiam se comunicar com eficiência sob as mais diversas situações.

Entrada da tumba de Akbar.


Camaras externas, que propagam o som a longas distâncias.

Outro local muito interessante, no mesmo monumento, é a sala onde fica a tumba de Akbar propriamente dita. É uma sala projetada e construída de tal forma que o eco se propaga parfeitamente, duranto o máximo de tampo fisicamente possível. Lá dentro dessa sala existe até uma pessoa cujo trabalho é gritar uma frase lá dentro e mostrar para os turistas esse efeito de eco! Claro, quando o eco finalmente cessa, ele pede uma oferenda para Akbar, preferencialmente em dinheiro. O lugar possui um grande jardim, repleto de animais e um engenhoso sistema de irrigação. Enfim, é mais um monumento gigantesco, a exemplo do Taj Mahal e do Red Fort. São lugares como esses que fizeram minha imaginação viajar no tempo, e desejar, pelo menos por alguns dias, viver os dias gloriosos de cada um desses monumentos, e vivê-los em sua plenitude. Os lugares são incríveis ainda hoje em dia, mas seriam ainda mais dentro de seu contexto original.

Entrada do túmulo de Akbar.

A tumba, dentro dela há um indiano que demostra a prefeita propagação do eco.

Saindo do mausoléu voltamos para o taxi e seguimos de volta para Delhi, tínhamos que pegar o vôo de volta para Pune. Mais algumas horas de estrada e demos uma volta por Delhi, vimos algumas lojas de artesanato e texteis, mas tudo muito caro, preço para turista mesmo. Decidimos nao comprar nada lá, não valia a pena. Fomos para o aeroporto, fizemos nosso checkin, esperamos por mais algumas horas e pegamos o avião para Pune. Duas horas depois já estávamos de volta em nossa casa aqui na Índia. Foi o fim daquele que será o final de semana mais espetacular de minha vida, até agora.

Nosso motorista e guia em Delhi e Agra.

P.S.: Os indianos certamente sabem como passar a eternidade com estilo!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Dia 06 (9/12) -- Taj Mahal

O despertador começou a tocar exatamente às 4 horas da manhã, mas só fui levantar às 4:20. Tomei um banho rápido, e me arrumei. Nem tomamos café da manhã, o táxi jás nos esperava lá embaixo, no térreo. Direto para o aeroporto de Pune, o Sol nem fazia menção de aparecer.

Chegando no aerporto, tivemos algumas dificuldades em nos achar lá. O aeroporto é bem pequeno, e está em reformas, soma-se a isso a desorganização que é meio característica daqui e fica bem difícil se achar lá. Fizemos nosso check-in, emitimos nossas passagens e ficamos esperando por mais de uma hora nosso embarque começar.

Antes de passar para a sala de embarque, passa-se por uma revista rigorosa, nossa bagagem de mão passa por uma máquina de raios-X, e somos revistados por detectores de metal, duas vezes. Existe uma séria preocupação com atentados terroristas aqui, especialmente devido ao conflito ainda existente na Cachemira (com o Paquistão) e os existentes no nordeste do país (acredito que um movimento separatista, embora possa estar engando). Mais uns 40 minutos esperando pelo embarque propriamente dito -- nosso vôo decolava às 6:55 horas da manhã. Voamos pela companhia aéra Kingfisher, seguindo uma recomendação de que ela teria o melhor serviço de bordo. De fato ela tem um bom serviço de bordo, mas não se compara ao que temos no Brasil, sem ofensas. Uma hora e cinquenta minutos de vôo, mas pareceu mais. Pousamos em Delhi.

Logo no desembarque, pouco antes de sair do avião, os indianos se aglomeraram para deixar a aeronave, não existia fila ou qualquer outra forma de organização. Esperamos a maré passar e finalmente desembarcamos. O aeroporto de Delhi também é muito desorganizado, porém, em proporções maiores. Gente de todo o mundo, andando perdida de um lado para o outro.

No lounge de desembarque procuramos por qualquer auxílio ao turista, "tourist couters", como eles chamam aqui e como nos foi indicado fazer. É recomendado usar as agências de turismo credenciadas, até mesmo pelo governo indiano, caso contrário pode-se ser explorado sem qualquer parcimonia. Encontrada a agência, o mais difícil foi a atendente entender o que queríamos, um táxi ou guia para dois dias, sábado e domingo, com pernoite em Agra. A situação se tornou ainda mais complicada, quando outra turista, Annie (não sei o nome dela corretamente), da Rússia, perguntou se toparíamos dividir o táxi até Agra. Dissemos que sim, sem problemas.. Mas como ela voltaria no mesmo dia, sábado, e de trem ou ônibus, foi preciso mais alguns minutos, e um exercício de ambos os lados se fazerem entender em um inglês macarrônico para que tivéssemos tudo arranjado. Infelizmente não conseguimos reserver um hotel em Agra de lá. Fomos "na sorte".

Pegamos o carro, um táxi, onde o motorista mesmo serviria de guia, e seguimos para Agra, saindo de Delhi. Nas ruas tive a confirmação que as leis de trânsito realmente não existem nesse país, ou se existem são uma mera sugestão que ninguém segue e que uns poucos guardas de trânsito tentam impor. A mesma loucura de Pune se repete nas ruas da capital indiana. Seguimos para Agra.

O dia começa em Deli.

As estradas tem uma pavimentação muito boa, muito semelhante à encontrada em boas estradas no Brasil. A estrada é bem sinalizada, duplicada (duas vias exclusivas em um direção). Agora, não fosse o caos no trânsito, as cidades no meio do caminho, os pouco mais de 200Km poderiam ser facilmente percorridos em menos de 5 horas de viagem. Isso mesmo! 200km em 5 horas de viagem! Chegamos em Delhi aproximadamente às 8:50 horas, e pegamos o táxi pouco depois das 9:10 horas da manhã. Chegamos em Agra às 14:50!

Como eu disse as estradas estão em condições muito boas, mas o desrespeito às faixas de rolagem, ultrapassagens perigosas, veículos em péssimo estado de conservação, animais na pista, como vacas, cães, pessoas andando a pé, de bicicleta, moto, rickshow (lotados de pessoas), carroças puxadas por cavalos, bois, camelos fazem desta aventura algo perigoso.. De fato, cruzamos por dois acidentes que pareciam ter proporções sérias.

Durante o trajeto cruza-se por várias cidades pequenas, de Delhi a Agra, algumas delas são cidades industriais, outras de comércio, mas são cidades que se desenvolveram ao redor da estrada, onde há muita pobreza, miséria mesmo, desorganização, gente e pedintes perambulando pelas ruas, sempre a espreita de um carro com turistas (o nosso) para pedir esmolas. O problema não é pedir esmolas, temos isso no Brasil também. Mas a diferença é que aqui eles são muito mais persistentes, não abandonam o carro até que ele se mova, não importa o que você fale ou gesticule.. Então formam-se algomerações em torno do carro, e você não sabe o que fazer. A situação parece ser tão embaraçosa que nem mesmo os indianos que trafegam na pista, sob as mesmas condições demonstram o mínimo de apreço pelos pedintes. Ignoram-os. Não sei se é o melhor a fazer, mas evita problemas maiores, como uma avalanche de outros pedintes. Enfim, é preciso seguir em frente.

Seguimos mais um pouco, cruzamos alguns pedágios, e resolvemos fazer uma parada para esticar as pernas, e ir ao toilete. Paramos em um lugar temático, com o formato de um palácio indiano. Logo ao chegar, fomos recepcionados por uma família que prontamente se pôs a tocar e dançar músicas que pareciam ser tradicionais. Fomos ao toilete, compramos uns chocolates e voltamos para o carro. Tiramos algumas fotos do local também. Porém, na saída do estabelecimento, já de carro, voltando para a estrada, vi um menino tocando flauta, e o motorista falou: "cobra, cobra" (ele fala bem inglês, mas é quieto, tímido), e pedi para ele parar o carro para eu tirar algumas fotos.


Parada para esticar as pernas, a caminho de Agra.

Descemos e o guri começou a tocar uma flauta, igual a que vemos nos desenhos, e a cobra se pôs na posição do bote, era uma naja, com o dorso aberto. Tirei umas fotos e do nada surgiu um senhor, me ofereçendo um lugar para sentar bem ao lado do cesto onde estava a cobra. Não acreditei, e não tive muito tempo para pensar. Logo que vi estava com outra naja enrolada no meu pesoço! Nem tive tempo para sentir medo! Mas deu uma ótima foto! Muito legal a experiência! A Annie foi convidada a sentar também, mas não topou o contato com a naja. Enquanto isso, o Arlindo assistia a tudo de uma distância segura. Fotos, risadas, pernas bambas e voltamos para o carro rapidamente, isso claro, sem antes dar uns trocados para aquele senhor e seu guri (tudo aqui, especialmente na região turística, é motivo para tirar algum dinheiro da gente. No banheiro um cara me ofereceu uns lenços de papel para enxugar mão, e me pediu dinheiro por isso! Mas tudo bem, estamos na Índia afinal de contas). A caminho de Agra.

Garoto encantador de serpentes.

Olha o sorriso amarelo.

Agra parece ser uma cidade exclusivamente dedicada ao turismo, à visitação de seus monumentos, dentre eles o Taj Mahal. Sofre das mesmas mazelas das demais, desorganização, sujeira, enfim. Ao chegar fomos procurar um hotel, sob inteira sugestão do taxista, nosso guia. O primeiro sugerido tinha os apartamentos mais baratos todos ocupadas, e os disponíveis eram muito caros. Notando nossa relutância, o dono do hotel rapidamente nos abordou e ofereceu que déssemos uma olhda em seu outro hotel, nas proximidades, que tería apartamentos mais baratos disponíveis. Fomos lá. E realmente tinha apartamento mais barato disponível, só não posso dizer que eles valiam o que estávamos pedindo, mas era suficiente para apenas uma noite de sono. Deixamos nossas coisas no apartamento, pegamos a camera fotográfica, conhecemos nosso guia para o Taj Mahal, rápida parada no Pizza Hut para um lanche, e rumamos ao Taj Mahal!

Chegando lá fomos abordados por uma multidão oferecendo auxílio para estacionar o carro, mas o motorista seguiu diretamente para um estacionamento "credenciado". Deixando o carro lá, fomos então abordados por vários vendedores de "gifts", presentinhos e bugigangas. Com esses é preciso ter paciência, pois eles são realmente inconvenientes. Mas descobrimos uma abordagem eficiente, não responder "no, thanks", em inglês, mas sim "não, obrigado", em português, e eles saiam rapidinho do nosso pé. Isso deve ser semelhante a um palavrão realmente ofensivo, ou algum outro tipo de ofensa bem séria para eles. Mas funciona.

Pegamos um rickshaw em direção ao portão de entrada, e lá compramos nossos tickets de entrada (os preços para turistas são absurdamente maiores do que para os indianos, da ordem de 100 vezes mais caros). Havia uma fila gigante para entrar. Só de homens. Havia uma fila de entrada de homens, gigante, e outra exclusiva para mulheres, muito menor. Annie entrou rapidamente, sem problemas. E nosso guia se propôs a nos dar uma ajuda para "entrar mais rápido". Paramos ao lado de uns turistas que pareciam ser coreanos ou chineses, que na horam começaram a reclamar de nós, e nosso guia "malandramente" explicou que o que estávamos fazendo era um outro "tipo" fila. Claro que isso daria problemas. Alguns instantes depois se aproxima um soldado, do exército ou da polícia militar, portanto uma metralhadora maior que meu braço, que pede que nos movemos para o fim da fila. Nosso turista mais uma vez tenta dar uma de malandro, mas eu e o Arlindo resolvemos ir para o fim da fila por nós mesmos. Até que não esperamos muito. Se não tivéssemos tentado furar a fila teríamos entrado antes. Mas entramos.

Portões de entrada. O primeiro deles.

Já entardecia. Passamos o primeiro portão, e chegamos no primeiro jardim. Incrível. Muito bonito mesmo. Logo no final, à direita, avista-se a entrada que leva ao Taj Mahal. A ansiedade aumenta a cada passo dado em direção ao último portão, ricamente ornamentado. Aqui tudo assume proporções gigantescas, seja no tamanho, seja no nível de detalhamento das gravações e pinturas dos afrescos e ornamentos. Até que se dá frente com ele, o Taj Mahal, no horizonte.

Entardecer nos jardins do Taj Mahal.

Ele está lá, logo depois daquele portão.

Até que se dá de frente com ele, repousando no horizonte.

É uma visão magnífica, difícil de expressar em palavras, somente um poeta para fazê-lo com competência. Muitas fotos, filmes, uma visão surreal, um sonho que se realiza. Nem mesmo as fotos conseguem capturar a sensação de ver o Taj Mahal. Ainda mais depois que se conhece sua história. O Taj Mahal é a maior obra de amor que o homem tem conhecimento, foi dedicado para a esposa de um dos Mughals (reis) da Índia, e serve de mausoléu para os dois amantes (http://en.wikipedia.org/wiki/Taj_mahal). É simplesmente incrível. Uma obra prima de arquitetura, onde cada componente é perfeitamente, sim perfeitamente, posicionado para compor a construção. Uma obra prima da construção, já que faz uso de um raro mármore, o único não poroso existente para seus alicerces, e raras pedras preciosas de diversos locais para ornamentação. É uma poesia em forma de monumento. Rodeada por muros e portões também ricamente ornamentados e precisamente posicionados para compor o efeito desejado.





Uma imagem. Mil palavras. Pouco.

No interior, no subsolo, jaz o casal, eternamente juntos. Lá dentro é proibido tirar fotos ou filmar, e se entra sem calçados ou com uma proteção sobre eles. Lá também só é permitida a entrada da luz solar.. Em homenagem e reverência a este rei e sua amada esposa. Na superfície do interior reside uma réplica das tumbas que ficam no subsolo, inacessíveis. Não sei mais o que dizer, pois o Taj Mahal não é apenas uma construção ou monumento, é uma experiência completa. É apreendiada apenas pelos privilegiados de estar lá, mesmo que por apenas um par de horas. Eu estive lá. Sob o pôr do Sol tudo parecia mágico.

Depois de duas horas posso dizer que foi difícil abandonar o lugar, se pudesse sentaria em um dos bancos e passaria horas, talvez dias apreciando tudo aquilo. Mas o dia acabava, a noite chegava, e precisávamos partir, com pesar, mas o fizemos. Talvez depois de algum tempo, depois que todas as emoções que se sente ao visitar o Taj Mahal se acalmarem, eu possa descrever com maior precisão o que é estar lá. Mas não agora.

Eu, Annie e o Arlindo.

Saímos de lá totalmente fora de nós mesmos. Deixamos um lugar de sonhos para trás. Voltamos para o carro, pagamos o rickshaw, estacionamento, e mais um dezena de tarifas que surgiam. No caminho de volta o guia e o motorista sugeriram que fôssemos a uma loja, onde os descendentes dos construtores do Taj Mahal, e únicos detentores da técnica usada no passado, trabalhavam na manufatura de arte. Para lá fomos.

Parecia ser um lugar genuíno. Chegando lá percorremos um tour perfeitamente organizado, fomos apresentados aos artesãos, introduzidos à sua história, e depois percorremos uma galeria onde seus trabalhos eram expostos e estavam à venda. Lugar que recebeu alguns vistiantes ilustres, como o ex-presidente americano Bill Clinton. Foi a única coisa organizada que vi na Índia até hoje. As peças são muito caras, mas valem a pena pela visitação e pelas peças menores, mais baratas.

Voltamos para o hotel. Deixamos a Annie em outro hotel para comprar as passagens de trem e voltar para Delhi. Nosso hotel não era nada bom. Mas estávamos exaustos e precisávamos dormir, e ele serviu apenas para isso. No dia seguinte, lá pelas 8 horas da manhã sairíamos para visitar o Red Fort, em Agra, e a tumba de Akbar, em Sikandra.

Foi um dia cansativo, estressante em alguns momentos. Mas foi o dia em que estive no Taj Mahal.

Dia 05 (8/12) -- Preparando para Delhi/Agra

Hoje fomos, na parte da manhã, novamente para a MG Road, o Arlindo precisava comprar uma máquina fotográfica para ele. Amanhã de manhazinha vamos para o aeroporto pegar o vôo para Delhi, de lá seguiremos para Agra, cidade onde fica o Taj Mahal, e vamos ver se dá para visitar outros monumentos importantes já que vamos passar a noite de sábado para domingo lá em Agra.


Mais algumas fotos do cotidiano da MG Road.

Saímos algumas horas antes do trabalho, e lá por umas 20 horas já estávamos a caminho do apartamento, afinal de contas precisamos arrumar nossa mochila para a viagem e dormir bem cedo, pois vamos ter que acordar ãs 4 da manhã de sábado para nos dirigir ao aeroporto de Pune. Chegando no apartamento fizemos um lanche rápido, preparamos nossas malas e direto para a cama dormir.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Internet voltou

Fiquei sem acesso a internet desde o último post, mas tivemos acesso novamente apenas hoje. Amahã publico as novidades da viagem ao Taj Mahal e desta semana. Mas estou vivo! Não se preocupem! Até mais.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Dia 04 -- Fechado para balanço

Hoje pela manhã não haverão aventuras. Vamos tentar planejar nossas viagens para os dois finais de semana que teremos aqui, (i) um tour pela cidade de Pune, onde estamos hospedados, e no seguinte, (ii) uma visita ao Tal Mahal e redondezas, na cidade de Agra, a uns 130 quilômetros ao sudeste da cidade de Nova Delhi.

Também preciso fazer as contas do que já foi comprado, tudo o que foi gasto. E é isso, à tarde mais um dia de treinamento. Vamos ver o que nos espera para a quinta-feira.

Bom, esses eram os planos até irmos trabalhar. Lá soubemos que estamos automaticamente convidados para confraternização de Natal da empresa, que ocorrerá no dia 16/12, justo no final de semana que iríamos ao Taj Mahal. Mudança de planos, e hoje mesmo compramos nossas passagens aéreas para Nova Delhi, de lá pegaremos um trem - o Shatabdi Express - e vamos para a cidade de Agra, onde o Taj Mahal fica. Reservaremos um hotel para passar a noite de sábado para domingo, e visitar o mausoléu no domingo, retornando depois a Delhi e em seguida a Pune, de novo de avião. Amanhã voltamos a MG Road para ver se os presentes que reservamos para o sábado já estarão disponíveis amanhã mesmo. Senão, pegamos na segunda-feira que vem.

Destaque de hoje vai para o café da manhã, à esquerda, na cor amarela, um bolo apimentado, mas gostoso, dois pães redondos, um sanduíche, um bolo, gelatina, manteiga, suco, torradas, e pudim de leite!!

E a menção honrosa, para aqueles que têm cuidado de nós, atrás, à esquerda, Deb Priya Chowdhury (ou Dave), eu, Vanita Bhagvat Dhvakule, Anil .V. Nemene (nosso cozinheiro), Pravin Ramchandru Achurya, Kavitha Nanjappa, e no sofá o Arlindo.

P.S.: "Geyser" == aquecedor de água.

Dia 03 -- MG Road, Parte II

É difícil tentar dormir até tarde aqui. Pela manhã, lá pelas oito horas da manhã, o Sol invade meu apartamento. Com ele, uma brisa refrescante adentra pelas janelas. Lá fora, uma névoa se estende até o horizonte, sumindo completamente lá pelas 10 horas da manhã, quando a temperatura começa a se elevar, seguindo essa tendência até a tarde, quando atinge a média de uns 33º Celsius. Porém, como o tempo é medianamente úmido, o calor não chega a ser sufocante, muito pelo contrário, é bastante tolerável. Lá pelas 18, 19 horas, quando começa a anoitecer, lentamente a temperatura começa a cair. Tornando as noites extremamente agradáveis para caminhadas e um jantar fora. Estamos no Outono aqui. Eis a razão para um clima tão aprazível. No inverno tem-se temperaturas na faixa dos 15º Celsius, e no verão pode-se passar dos 40º Celsius.

Mais um dia se abre. Com a névoa que citei.

Saímos do apartamento por volta das 9:30 da manhã, tinha que levar três fotos para revelar, conforme prometido. Mas chegando na loja, descobri que a revelação levaria pelo menos uma hora, decidimos deixar as fotos lá revelando e seguir novamente para a MG Road sem elas, afinal de contas tínhamos dívidas a pagar (as roupas compradas a fiado com os três irmãos). E para lá fomos, pegamos um rickshaw, MG Road, uma caminhada para achar a loja certa no meio de tantas outras, e lá estavam os três irmãos. Adentramos a loja e fomos direto para os fundos, pagamos nossas dívidas e pronto! Fomos apresentados a novos produtos. Esses três irmãos são excelentes vendendores. Mais algus minutos lá dentro e deixamos novas encomendas para sábado. Um deles até nos ensinou como as mulheres se arrumam para vestir sua roupa tradicional em si mesmo, não preciso dizer que a cena foi engraçada.

Estamos ficando cansados, muitas novidades realmente estafam a mente de uma pessoa. Decidimos voltar para o apartamento assim que saímos da loja, para ter algumas horas de descanço. E para lá voltamos. Fomos almoçar novamente no McDonalds e de lá seguimos para o prédio da empresa. Hoje foi um dia relativamente calmo, ou estamos nos acostumando rapidamente com a Índia, o que não é pouco provável. Acredito que com um pouco de disposição qualquer um se adapta rapidamente àqui.

Quando voltamos da MG Road, fui pegar os fotos que ficaram para revelar, aproveitei para tirar mais uma.

Na empresa o treinamento cobriu uma parte complexa do nosso trabalho e foi estafante, saímos de lá por volta das 22:30, fomos advinha aonde para jantar? McDonalds. Chegamos lá mas ele já estava fechando, haviam poucas refeições e apenas o Arlindo conseguiu pegar um sanduíche. Eu fiquei na mão. Voltamos ao apartamento e fomos para cozinha procurar algo para comer. Nosso cozinheiro havia preparado uns sanduíches de um patê com milho, apimentado claro, e queijo, bem gostoso, e torradas com manteiga. Esse foi meu jantar. Alguns minutos navegando na internet, caçando o pessoal do Brasil no ICQ, MSN, Skype, e de volta para a cama. A manhã do dia seguinte está reservada para descançar.

P.S.: Na Índia é comum os homens, amigos, andarem de mãos dadas, abraçados, com os braços sobre os ombros. Agora, não se vê muita manifestação de afeto com as mulheres, digo, entre homens e mulheres. As mulheres amigas parecem ter uma relação muita parecida com a que vemos no Ocidente.

Versão ilustrada

Fotos no ar! Reveja os posts para ver as novas fotos! Aproveitem!

Em breve novos posts e novas fotos!

Dia 02 -- MG Road, Parte I

Acordamos cedo para ir à MG Road, Mahatma Gandhi Road. Famosa rua de comércio aqui em Pune. É uma espécie de Santa Efigênia em São Paulo, mas aposto que muito mais incrível. Temos de agora em diante as manhãs livres, nosso turno de trabalho se estende, a partir de hoje, das 13:30 às 22 horas. Ótimo para conhecer a cidade.

O café da manhã de hoje teve novos pratos tradicionais, uma gelatina de uma fruta que não pude identificar mas que sa aproxima do sabor de uma combinação de frutas vermelhas, e uma farofa doce, levemente humidecida, deliciosa. Café, torradas e manteiga eram o toque familiar àquela refeição. Estávamos prontos para mais uma manhã espetacular.

Pedimos algumas referências ao nosso housekeeper, Dave, sobre a MG Road, e ele colocou um de seus ajudantes à nossa disposição para achar um Rickshaw e explicar ao motorista onde nos levar. Um Rickshaw é um dos veículos mais populares da Índia, só deve perder para as motos. É um triciclo de dimensões, onde o motorista vai na frente, em um assento individual, e dois ou três passageiros vão sentados no banco de trás. Deve fazer uso de um motor de baixa potência, rodas pequeninas e sempres estão pintados nas cores preto e amarelo. A ferrugem dá o toque final em sua aparência. O motorista, um mais estranho do que o outro, é um caso a parte! Porém, todos entendem o básico do inglês e são muito atenciosos.


A caminho da MG Road, dentro de um rickshaw.

Dentro do rickshaw sentimos em outra perspectiva aquilo que vimos como pedestres. E eu garanto, a emoção é muito maior! Não saber aonde se está indo, não saber se o motorista está na contra-mão ou não, não saber se os veículos que estão ao seu lado vão bater em você ou não, não saber se o motorista vai conseguir atravessar um cruzamento ou não, não é algo para os que tem problemas cardíacos! O som alto, estridente de centenas de buzinas tocando tornam a viagem ainda mais insólita! Tirei muitas fotos, gravei muitos vídeos, alguns deles impressionantes. Mas o fato mais engraçado no caminho à MG Road foi a parada no posto de gasolina.

Posto de gasolina. Até aqui tudo bem.

Nosso rickshaw, sendo reabastecido de gasolina.

Resolvi tirar algumas fotos do pessoal trabalhano no posto de gasolina. Desci do rickshaw e comecei a tirar algumas fotos. Me impressionei com um cego que estava cantando em um microfone e entretendo os funcionários do posto e seus clientes. Comecei a fotografá-lo. A primeira foto não ficou boa, ficou treminda. Fui tirar outra, mas agora não aparecia apenas o cantor cego, havia mais um punhado de funcionários na foto. Novamente a foto não ficou boa, resolvi tirar uma terceira foto. E quando olhei pelo monitor da camera, vi que todos os funcionários do posto queria ser fotografados! O posto de gasolina parou de funcionar! Todos eles gritavam para que eu aparecesse na foto!! Não pensei duas vezes, na verdade pensei sim, (i) aproveitar uma oportunidade de tirar mais uma foto com uma história legal e (ii) sair dali o mais rápido possível antes que as centenas de clientes esperando começacesse a ficar irritada (embora eu divide que isso acontecesse). Fui para trás das lentes, o Arlindo tirou a foto e voltei correndo para o rickshaw. Foi ali que percebi que os indianos adoram tirar fotos! Agora sim! A caminho da fomosa MG Road!

Indiano cantando no posto de gasolina, mas a foto não ficou boa.

A segunda foto, com mais gente...

E a terceira foto, com todos os funcionários do posto, mais um brasileiro! Namasté!

A caminho nada! Tivemos que parar e esperar um rebanho de bois atravessar a pista antes de chegarmos lá! Passado mais esse fato insólito chegamos finalmente na MG Road. Vamos às compras.

Bois cruzando uma avenida. Normal.

Vamos às compras, mas depois de recuperar o fôlego. A MG Road é simplesmente impressionante. Uma longa avenida, com leves curvas, larga para os padrões daqui, repleta de motos, carros, caminhões, rickshaws, vacas, bois e cãoes, rodeada por milhares de lojas! Sim, milhares! Devem ser uns 2 a 3 Km de rua, repleta de pequenas lojinhas, que vendem de tudo, de bolsas, tecidos, roupas, bijouterias, eletrônicos, calçados, artesanato, ferramentas, comida, frutas, verduras, quadros, e mais uma infinidade de coisas que não sei descrever. A visão da rua, de suas lojas, das pessoas, dos carros, do barulho das buzinas, o som das conversas, o cheiro, é uma combinação que me deixou atordoado por alguns momentos. Sem reação. Levei algum tempo até cair em mim de volta. Não acreditava aonde estava.












Esse boi está com cara de quem vai aprontar...

De imediato tirei minha camera fotográfica do bolso e começei a fotografar tudo! Não havia outra coisa a fazer. Esqueci das compras. Seguimos andando, "subindo", a MG Road, apreciando cada coisa nova, ouvindo cada som novo, tentando apreender cada sensação em sua máxima estensão, tentamos não deixar escapar nada. Mas só depois que percebi que isso era impossível. Impossível contemplar tudo de uma vez. Seguimos pela rua deslumbrados, seguimos becos, quebradas, encontramos lojas retiradas de histórias de filmes, feiras, pessoas, cada uma mais incrível do que a outra, tudo fotografado e filmado. E como não poderia deixar de ser, aconteceu mais um fato insólito. Estávamos parados em frente a entrada de uma feira, onde se vendiam frutas e verduras, a maioria das vendedoras eram mulheres trajadas tipicamente. Comecei a tirar algumas fotos, até que uma das vendedoras começou a gesticular em minha direção. Eu pensei, sempre que isso acontece, não há problema algum, então continuei a tirar as fotos. Porém, os gestos dela se tornaram mais agitados, e sua fala mais agressiva. De repente, todos perto dela olham pra mim, me encarando. Opa, hora de ir embora. Acho que a regra de que todos na Índia gostam de ser fotografados é como todas as outras, tem suas exceções. Mas nem tive tempo de afastar direito. Quanto comecei a me mover, me senti sendo empurrado, devagar mas com força. Pensei que era algum ciclista que eu não tinha visto e que esbarrou em mim. Virei para trás para ver o que era, e dou de cara com um boi! Me empurrando, me empurrando com força com a cabeça. Ele queria passagem, e me empurrou de tal forma que fui jogado em cima de um monte de estrume no chão, eu não cai, mas pisei com tudo em cima do monte. O Arlindo se divertiu com a cena. Só depois de verficar as fotos que descobri que tinha fotografado o mesmo boi que me empurrou alguns minutos antes! Eis aí a prova. Nem todo o indiano gosta de ser fotografado. Definitivamente.

Mercado de frutas e verduras.

Romãs.

Mais alguns instantes e eu estaria na merda, literalmente. Eu ainda faço churrasco daquele boi.

Subimos mais um pouco da MG Road até aquilo que achamos ser o seu fim. Resolvemos então voltar. Passado o êxtase, fomos às compras. Começamos a "descer" a MG Road. Só agora começamos a prestar atenção no que as lojas vendiam. Não, isso não é exato. Antes tínhamos encontrados duas lojas de artesanato realmente muito interessantes, que conseguiram nos chamar a atenção no caminho de ida. Bem, voltando passamos em frente a uma loja de tecidos e roupas, com uma portinhola muito pequena mas detalhadamente decorada com produtos em exposição. De dentro dela sai um indiano, que nos aborda de modo efusivo, alegre por ter encontrado dois turistas, e repidamente nos puxa para perto da porta da loja. Não conseguia entender nada do que ele falava, mas sabia que ele falava inglês. Quando ele se acalmou, perguntou de onde éramos e dissemos que éramos do Brasil, ele conhecia o Pelé, Ronaldinho (nossos embaixadores mundiais), daí que o velho homem se alegrou de vez. Nos convidou para entrar, chamou seus dois irmãos, nos apresentou a eles, e pediu que tirássemos fotos com eles. Tiramos as fotos e ele nos fez prometer que traríamos as fotos reveladas para ele, não tínhamos como recusar (também prometi fotos reveladas para uma outra família). Adentramos mais aos fundos da loja. A loja tem o formato um estreito corredor, com paredes feitas de estantes e prateleiras repletas de roupas, tecidos e outos adereços de pano, todos cuidadosamente ornamentados com arte indiana. No meio ainda cabia espaço para um balcão! Ele nos convidou para sentar, e nos oferceu chá, café, ou qualquer coisa que quiséssemos, e logo começou a nos oferecer seus produtos. Mal sabia ele que ele já tinha nos ganhado com aquela conversa da foto... Os tecidos, vestidos, blusas, camisas, todos fantásticos, exatamente como imaginava. Passamos vários minutos lá dentro, escolhendo os presentes e tentando negociar preços. Mesmo com a negociação tivemos que comprar fiado, mas saímos com um belo desconto, um sorriso no rosto, mais uma história para contar, e com três novos amigos bem diferentes. Prometi levar as fotos reveladas no dia seguinte. E vou cumprir. Vou aproveitar também para pagar o que ficamos devendo das compras. Por sorte sobrou um pouco de dinheiro para pagar o rickshaw de volta! Já eram mais de 100:30 da manhã! Passara de nossa hora de voltar, seguimos para o começo da rua (onde havíamos descido primeiramente) e pegamos mais um carrinho, de volta para o apartamento.


Nossos novos amigos. Com direito a pose pra foto e tudo.

Estas três fotos viraram presentes.

No apartamento tomamos um rápido banho, e seguimos para o McDonalds, que fica nas redondezas. Estávamos atrasados para nosso segundo dia de trabalho, precisávamos ter uma refeição que fosse servida rapidamente. Lá, nos deparamos com a força da Índia. A grande maioria das refeições servidas no restaurante é vegetariana, a única exceção é pelo sanduíche feito de carne de frango. Agora, o mais popular é o McVegg, com alface, molho de maionese e um hamburger feito de vegetais, dentre eles ervilha, muito parecido com os nuggets de vegetais que encontramos no Brasil. Batatas e um copo de Coca-Cola gelada, para aplacar o calor cairam muito bem. Lá no McDonalds também é seguido a convenção dos símbolos verde e vermelho para os alimentos vegg e não-vegg.

Terminada a refeição seguimos rapidamente para o prédio da empresa, chegamos pontualmente às 13hrs, para o segundo dia de treinamento. A partir de hoje o treinamento começou a ficar mais puxado. Cumprimos o expediente até as 22hrs e seguimos de volta para o apartamento. Exausto, dormi como uma pedra.

P.S.: Boi, vaca, matilhas de cachorros na rua, tudo isso para mim agora já é normal...