O café da manhã de hoje teve novos pratos tradicionais, uma gelatina de uma fruta que não pude identificar mas que sa aproxima do sabor de uma combinação de frutas vermelhas, e uma farofa doce, levemente humidecida, deliciosa. Café, torradas e manteiga eram o toque familiar àquela refeição. Estávamos prontos para mais uma manhã espetacular.
Pedimos algumas referências ao nosso housekeeper, Dave, sobre a MG Road, e ele colocou um de seus ajudantes à nossa disposição para achar um Rickshaw e explicar ao motorista onde nos levar. Um Rickshaw é um dos veículos mais populares da Índia, só deve perder para as motos. É um triciclo de dimensões, onde o motorista vai na frente, em um assento individual, e dois ou três passageiros vão sentados no banco de trás. Deve fazer uso de um motor de baixa potência, rodas pequeninas e sempres estão pintados nas cores preto e amarelo. A ferrugem dá o toque final em sua aparência. O motorista, um mais estranho do que o outro, é um caso a parte! Porém, todos entendem o básico do inglês e são muito atenciosos.
Dentro do rickshaw sentimos em outra perspectiva aquilo que vimos como pedestres. E eu garanto, a emoção é muito maior! Não saber aonde se está indo, não saber se o motorista está na contra-mão ou não, não saber se os veículos que estão ao seu lado vão bater em você ou não, não saber se o motorista vai conseguir atravessar um cruzamento ou não, não é algo para os que tem problemas cardíacos! O som alto, estridente de centenas de buzinas tocando tornam a viagem ainda mais insólita! Tirei muitas fotos, gravei muitos vídeos, alguns deles impressionantes. Mas o fato mais engraçado no caminho à MG Road foi a parada no posto de gasolina.
Resolvi tirar algumas fotos do pessoal trabalhano no posto de gasolina. Desci do rickshaw e comecei a tirar algumas fotos. Me impressionei com um cego que estava cantando em um microfone e entretendo os funcionários do posto e seus clientes. Comecei a fotografá-lo. A primeira foto não ficou boa, ficou treminda. Fui tirar outra, mas agora não aparecia apenas o cantor cego, havia mais um punhado de funcionários na foto. Novamente a foto não ficou boa, resolvi tirar uma terceira foto. E quando olhei pelo monitor da camera, vi que todos os funcionários do posto queria ser fotografados! O posto de gasolina parou de funcionar! Todos eles gritavam para que eu aparecesse na foto!! Não pensei duas vezes, na verdade pensei sim, (i) aproveitar uma oportunidade de tirar mais uma foto com uma história legal e (ii) sair dali o mais rápido possível antes que as centenas de clientes esperando começacesse a ficar irritada (embora eu divide que isso acontecesse). Fui para trás das lentes, o Arlindo tirou a foto e voltei correndo para o rickshaw. Foi ali que percebi que os indianos adoram tirar fotos! Agora sim! A caminho da fomosa MG Road!
A caminho nada! Tivemos que parar e esperar um rebanho de bois atravessar a pista antes de chegarmos lá! Passado mais esse fato insólito chegamos finalmente na MG Road. Vamos às compras.
Vamos às compras, mas depois de recuperar o fôlego. A MG Road é simplesmente impressionante. Uma longa avenida, com leves curvas, larga para os padrões daqui, repleta de motos, carros, caminhões, rickshaws, vacas, bois e cãoes, rodeada por milhares de lojas! Sim, milhares! Devem ser uns 2 a 3 Km de rua, repleta de pequenas lojinhas, que vendem de tudo, de bolsas, tecidos, roupas, bijouterias, eletrônicos, calçados, artesanato, ferramentas, comida, frutas, verduras, quadros, e mais uma infinidade de coisas que não sei descrever. A visão da rua, de suas lojas, das pessoas, dos carros, do barulho das buzinas, o som das conversas, o cheiro, é uma combinação que me deixou atordoado por alguns momentos. Sem reação. Levei algum tempo até cair em mim de volta. Não acreditava aonde estava.
De imediato tirei minha camera fotográfica do bolso e começei a fotografar tudo! Não havia outra coisa a fazer. Esqueci das compras. Seguimos andando, "subindo", a MG Road, apreciando cada coisa nova, ouvindo cada som novo, tentando apreender cada sensação em sua máxima estensão, tentamos não deixar escapar nada. Mas só depois que percebi que isso era impossível. Impossível contemplar tudo de uma vez. Seguimos pela rua deslumbrados, seguimos becos, quebradas, encontramos lojas retiradas de histórias de filmes, feiras, pessoas, cada uma mais incrível do que a outra, tudo fotografado e filmado. E como não poderia deixar de ser, aconteceu mais um fato insólito. Estávamos parados em frente a entrada de uma feira, onde se vendiam frutas e verduras, a maioria das vendedoras eram mulheres trajadas tipicamente. Comecei a tirar algumas fotos, até que uma das vendedoras começou a gesticular em minha direção. Eu pensei, sempre que isso acontece, não há problema algum, então continuei a tirar as fotos. Porém, os gestos dela se tornaram mais agitados, e sua fala mais agressiva. De repente, todos perto dela olham pra mim, me encarando. Opa, hora de ir embora. Acho que a regra de que todos na Índia gostam de ser fotografados é como todas as outras, tem suas exceções. Mas nem tive tempo de afastar direito. Quanto comecei a me mover, me senti sendo empurrado, devagar mas com força. Pensei que era algum ciclista que eu não tinha visto e que esbarrou em mim. Virei para trás para ver o que era, e dou de cara com um boi! Me empurrando, me empurrando com força com a cabeça. Ele queria passagem, e me empurrou de tal forma que fui jogado em cima de um monte de estrume no chão, eu não cai, mas pisei com tudo em cima do monte. O Arlindo se divertiu com a cena. Só depois de verficar as fotos que descobri que tinha fotografado o mesmo boi que me empurrou alguns minutos antes! Eis aí a prova. Nem todo o indiano gosta de ser fotografado. Definitivamente.
Subimos mais um pouco da MG Road até aquilo que achamos ser o seu fim. Resolvemos então voltar. Passado o êxtase, fomos às compras. Começamos a "descer" a MG Road. Só agora começamos a prestar atenção no que as lojas vendiam. Não, isso não é exato. Antes tínhamos encontrados duas lojas de artesanato realmente muito interessantes, que conseguiram nos chamar a atenção no caminho de ida. Bem, voltando passamos em frente a uma loja de tecidos e roupas, com uma portinhola muito pequena mas detalhadamente decorada com produtos em exposição. De dentro dela sai um indiano, que nos aborda de modo efusivo, alegre por ter encontrado dois turistas, e repidamente nos puxa para perto da porta da loja. Não conseguia entender nada do que ele falava, mas sabia que ele falava inglês. Quando ele se acalmou, perguntou de onde éramos e dissemos que éramos do Brasil, ele conhecia o Pelé, Ronaldinho (nossos embaixadores mundiais), daí que o velho homem se alegrou de vez. Nos convidou para entrar, chamou seus dois irmãos, nos apresentou a eles, e pediu que tirássemos fotos com eles. Tiramos as fotos e ele nos fez prometer que traríamos as fotos reveladas para ele, não tínhamos como recusar (também prometi fotos reveladas para uma outra família). Adentramos mais aos fundos da loja. A loja tem o formato um estreito corredor, com paredes feitas de estantes e prateleiras repletas de roupas, tecidos e outos adereços de pano, todos cuidadosamente ornamentados com arte indiana. No meio ainda cabia espaço para um balcão! Ele nos convidou para sentar, e nos oferceu chá, café, ou qualquer coisa que quiséssemos, e logo começou a nos oferecer seus produtos. Mal sabia ele que ele já tinha nos ganhado com aquela conversa da foto... Os tecidos, vestidos, blusas, camisas, todos fantásticos, exatamente como imaginava. Passamos vários minutos lá dentro, escolhendo os presentes e tentando negociar preços. Mesmo com a negociação tivemos que comprar fiado, mas saímos com um belo desconto, um sorriso no rosto, mais uma história para contar, e com três novos amigos bem diferentes. Prometi levar as fotos reveladas no dia seguinte. E vou cumprir. Vou aproveitar também para pagar o que ficamos devendo das compras. Por sorte sobrou um pouco de dinheiro para pagar o rickshaw de volta! Já eram mais de 100:30 da manhã! Passara de nossa hora de voltar, seguimos para o começo da rua (onde havíamos descido primeiramente) e pegamos mais um carrinho, de volta para o apartamento.
No apartamento tomamos um rápido banho, e seguimos para o McDonalds, que fica nas redondezas. Estávamos atrasados para nosso segundo dia de trabalho, precisávamos ter uma refeição que fosse servida rapidamente. Lá, nos deparamos com a força da Índia. A grande maioria das refeições servidas no restaurante é vegetariana, a única exceção é pelo sanduíche feito de carne de frango. Agora, o mais popular é o McVegg, com alface, molho de maionese e um hamburger feito de vegetais, dentre eles ervilha, muito parecido com os nuggets de vegetais que encontramos no Brasil. Batatas e um copo de Coca-Cola gelada, para aplacar o calor cairam muito bem. Lá no McDonalds também é seguido a convenção dos símbolos verde e vermelho para os alimentos vegg e não-vegg.
Terminada a refeição seguimos rapidamente para o prédio da empresa, chegamos pontualmente às 13hrs, para o segundo dia de treinamento. A partir de hoje o treinamento começou a ficar mais puxado. Cumprimos o expediente até as 22hrs e seguimos de volta para o apartamento. Exausto, dormi como uma pedra.
P.S.: Boi, vaca, matilhas de cachorros na rua, tudo isso para mim agora já é normal...
2 comentários:
Rickshaw quero um pra mim, que vida maluca essa que eles levam, vaca na rua e um monte de cachorro junto, muito maluco.
Pelo visto as pessoas na India se parecem com a Patricia não podem ver uma camera na mão que quer sair na foto.
Ainda bem que tem MC que beleza, bem que vc falou a maioria tem bigode, maneira as fotos.
Se cuida rapa, Abraço.
Adriano, as fotos estão ficando espetaculares!!!!
Sabe que de foto eu entendo né! :)
Tira mais!! Tira mais!!
A história do posto, do cego, ÓTIMA!!!!! Aqui em casa estamos acompanhando tudo!
Beijo grande.
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